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terça-feira, 1 de junho de 2010

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Limpeza de Microfones

Limpeza de Microfones


Shure

O presente artigo teve a sua introdução alterada para adaptar-se à realidade das igrejas. Os modelos de microfones citados referem-se à linha de produtos fabricados pela Shure.

Finalmente você chegou aonde queria: investiu em um microfone de alta qualidade para vocal, e sua voz nunca soou tão bem. Infelizmente, outro cantor do seu conjunto resolve que quer usar o teu microfone durante uma participação vocal. Você range os dentes enquanto ele praticamente come o microfone. Você mal consegue olhar quando ele encoraja outras pessoas a gritar no microfone. Depois disso, ele te devolve o microfone, que ainda funciona, mas está consideravelmente mais úmido e anti-higiênico.
Microfones são sujeitos a uma quantidade incrível de maus tratos, especialmente em música ao vivo. As grades de proteção e as espumas anti-puf podem ficar saturadas com saliva, entupidas com batom, e outras coisas mais. Limpar regularmente seu microfone vai não somente melhorar sua performance, como também é um bom hábito de higiene. Esse texto informa técnicas simples porém eficientes para limpar microfones.
Microfones Dinâmicos
A melhor maneira de limpar um microfone é removendo a grade (bola). A maioria das grades de microfones de vocais são rosqueadas, como por exemplo no SM58 e no BG3.1. Caso a grade não saia com facilidade, pressione para a frente e para trás com suavidade, enquanto puxa-a para longe da cápsula. Não puxe subitamente ou com força excessiva, para evitar danos à cápsula ou deslocamento de sua posição no corpo do microfone. Uma vez removida, a grade poderá ser limpa cuidadosamente sem risco de danos ao microfone. Como a maioria do material ofensivo na grade vem do corpo humano, água pura deve ser suficiente para limpar. Um detergente suave (de cozinha) acrescentado à água servirá como um desinfetante brando, e removerá odores absorvidos pela espuma anti-puf. Para limpar batom e outros matérias presos na grade, use uma escova de dentes com cerdas macias. Em alguns modelos, a espuma anti-puf pode ser removida da grade, mas isso em geral não é necessário, já que a água não danifica a grade. A maioria das grades dos microfones Shure possui acabamento niquelado, mais resistente à ferrugem, e substituir a espuma anti-puf pode ser difícil e demorado.
A coisa mais importante a lembrar é: seque completamente a grade antes de instala-la no microfone! Microfones não gostam de água e, embora microfones dinâmicos resistam a pequenas quantidades de umidade, uma espuma anti-puf encharcada trará mais água que o aceitável. Um secador de cabelo e o melhor modo de secar uma grade, mas atente para usa-lo na potência mais baixa. Mantenha o secador afastado da grade, pois calor excessivo pode fundir algum material da espuma.
O trabalho de limpeza de microfones cuja grade não seja removível, como o SM57 e o 545, deve ser feito de modo mais cuidadoso. Usando uma escova de dentes macia, segure o microfone com a cápsula para baixo e limpe a grade com suavidade. Segurar o microfone na posição invertida evita que umidade excessiva escorra para a cápsula. Essa técnica também é útil para limpar a espuma que cobre o diafragma dentro de um SM58. Repetindo, mantenha o microfone de ponta-cabeça e seja muito gentil.
Em situações ao vivo com múltiplos artistas, pode ser desejável limpar os microfones entre as apresentações. Use uma escova de cerdas macias para aplicar uma solução de enxaguatório bucal (como Listerine ou Cepacol) diluído em água no microfone, seguro com a cápsula para baixo. No mínimo, essa técnica fará com que o cheiro do microfone seja mais agradável para o artista. Lembre-se sempre de verificar se o sistema de som está desligado, antes de começar a limpeza!
Microfones Condensadores
Devido à natureza mais delicada dos microfones a condensador,nunca use água ou qualquer outro líquido para fazer a limpeza. Mesmo uma pequena quantidade de umidade pode danificar o elemento condensador. Para microfones com grade removível, como o Beta 87 ou o BG5.1, a grade e a espuma anti-puf podem ser lavadas como descrito acima. Mais uma vez, a grade e a espuma devem estar completamente secas antes de serem reinstaladas no microfone. Para limpar um microfone com grade instalada permanentemente, como o SM81 ou BG4.1, use uma escova de dentes macia seca para escovar gentilmente a grade. Tome cuidado para não permitir que cerdas soltas fiquem presas na grade. Essa técnica também funciona bem para microfones de lapela e microfones miniatura tipo gooseneck.
Nos casos de microfones a condensador sujeitos a condições severas de uso, como aplicações em vocais e em teatro, é aconselhável usar uma espuma anti-puf externa removível. Esta protegerá o microfone contra saliva e maquiagem, e pode ser removida e limpa com água e sabão após cada apresentação. Lembre-se, nunca deixe água próximo a um elemento condensador!

Matemática do Ministério de música:


Matemática do Ministério de música:
Se tem uma coisa que um músico profissional recém chegado a um ministério de música sente incômodo em ouvir é a célebre frase: “ministério de música é 90% Oração e 10% Técnica”. Pra ele, isso muitas vezes soa como desvalorização de anos dedicados ao estudo da música, das horas diárias de treino, das madrugadas à fio tirando músicas, … e pior, como se apenas com oração alguém tenha o displante de pensar que tocará tanto quanto ele, tão dedicado no estudo musical.
É óbvio que a oração é mais importante do que qualquer coisa na nossa vida, pois é ela que nos coloca em sintonia com Deus que nos sustenta e sustenta a nossa missão. Tanto que não há nada mais frustrante para um ministério de música quando começam a perceber que aquele músico profissionalíssimo que entrou não quer saber de oração, falta os dias de espiritualidade, formação e só quer saber de ensaio, pois sabem que o ministério de música não se sustenta sem oração, pois não se trata apenas de dar uma ajuda para a Igreja, trata-se de uma missão de levar as pessoas a um encontro pessoal com Jesus, através da música.
Entretanto, ao longo desses anos de ministério de música, Deus vem nos ensinando que, para tocar com unção, tanto a oração quanto a técnica precisam, em pé de igualdade, ser alvo da preocupação de um ministério de música. Não estamos aqui entrando no mérito de quem é mais importante, pois isso já disse no parágrafo anterior. O que estou dizendo é que devemos nos empenhar em ambas. 
Muitas vezes somos levados a colocar essas duas coisas como concorrentes, quando na verdade precisam andar juntas. A própria Bíblia traduz esse conflito nos dois trechos abaixo:
“Estando Jesus em viagem, entrou numa aldeia, onde uma mulher, chamada Marta, o recebeu em sua casa. Tinha ela uma irmã por nome Maria, que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. Marta, toda preocupada na lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude.  Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas;no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada.” (Lc 10, 38-42)
Veja esse outro trecho da Bíblia:
“De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará?
Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.” (Tg 2, 14-18)
De fato, há membros de ministérios de música que, por não terem formação musical, acabam acomodando-se com o conhecimento limitado de música que possuem e não procuram evoluir. É preciso cuidado, pois muitas vezes vestimos uma capa de pessoas santas e orantes e apontamos o dedo para o irmão que se empenha no estudo dizendo que ele não quer saber de Deus.
Na verdade, quando agimos assim, também não estamos querendo saber de Deus, pois se é para Deus que canto, se é para Deus que toco, tenho que fazê-lo da melhor forma que puder e isso exige estudo, dedicação, ensaio. Servir a Deus, exige empenho, sair da zona de conforto. Não posso dar esmola para Deus. Para Deus, o melhor!
Por outro lado, evidentemente, um ministério de música não pode ser apenas uma banda. Normalmente, não há remuneração para os músicos de um ministério, por isso, todos estão ali porque querem. E por que querem?
Os motivos são diversos: porque gostam de tocar, pra servir a Deus, pra assumir uma missão, para fazer amigos, … Tudo isso é muito bom, mas é preciso ter consciência de que um ministério de música não é lugar para alguém que só quer tocar/cantar por prazer, robby, diversão ou coisa parecida. É preciso ter consciência de que somos todos missionários e estamos incumbidos da tarefa de mudar a vida das pessoas em nossas apresentações.
Por isso, tocar/cantar com unção requer tanto oração, quanto técnica. Um ministério de música precisa buscar o equilíbrio entre essas duas coisas. Digo sem medo de errar: “quanto mais orante for um ministério de música, maior a sua preocupação com a técnica”.
Porém, não se trata de uma preocupação vazia, com a técnica em si. Trata-se de tamanha intimidade com Deus que não admitimos servi-lo de qualquer jeito, que iremos nos empenhar ao máximo para agradar os seus ouvidos perfeitos.
“Cantai-lhe um cântico novo, cantai bem para ele! Alguém pergunta como cantar para Deus. Canta para ele, mas não cantes mal. Ele não quer que seus ouvidos sejam molestados. Cantai bem irmãos. Diante de um musicista de bom ouvido, dizem-te para cantar de modo que lhe agrade. Ora se não foste instruído na arte musical, temes cantar para não desagradar ao artista. Não sabendo que és ignorante, ele te repreenderá. Quem se oferecerá para cantar bem a Deus, a ele que de tal modo julga o cantor, de tal modo examina tudo, de tal modo sabe escutar? Quando poderás apresentar um canto com tanta arte que absolutamente em nada desagrades aos ouvidos perfeitos?” (Santo Agostinho)
O ideal seria que cada membro do ministério de música tivesse tanta preocupação com a técnica quanto tem com a oração, porém, a realidade é que nossos ministérios de música, como qualquer grupo de pessoas, são formados de pessoas diferentes, com histórias e experiências diferentes. É natural que em uns sobressaia o empenho na oração e em outros o empenho na técnica. O importante é que ambos, oração e técnica, estejam presentes na vida de todos no ministério.
No final das contas, a matemática geral do ministério de música tem que ser 50% Oração + 50% Técnica = 100% unção.
 

Música é um poderoso meio de apostolado, afirma cardeal.

Música é um poderoso meio de apostolado, afirma cardeal.

No entanto, Dom Eusébio Scheid diz que \"música medíocre e com letras banais não evangelizam ninguém\".


Segundo o cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, a música é um poderoso meio de apostolado.
Dom Eusébio Scheid recorda que a Igreja Católica emprega-a muito nas celebrações e conta, inclusive, com ótimos corais em diversas paróquias.
Em artigo enviado a Zenit essa semana, o arcebispo afirma que "temos, também, entre os nossos compositores populares, exímios pregadores da Palavra cantada, que vêm desenvolvendo um excelente trabalho de evangelização através da música".
Mas Dom Eusébio enfatiza que se trata, "porém, de um campo que requer permanente cuidado, no sentido de jamais se abdicar da qualidade, pois música medíocre com letras banais, e até mesmo erradas, não evangelizam ninguém. Tornam-se, quando muito, meio de diversão superficial, distração".
O cardeal explica que "a sublimidade da música reflete a transcendência que, dentre todas as criaturas, somente o ser humano é capaz de almejar, pois foi criado por Deus para tal".

"Consideremos que Deus é a harmonia plena. Nele não há dissonância. Nós fazemos parte do grande concerto universal, conduzido pelo Divino Regente", escreve o arcebispo.
"Freqüentemente, porém, desafinamos, cometendo falhas inerentes à nossa imperfeição. Isso, naturalmente, contradiz o que Deus pede de nós, como imagens suas, cuja história deve reprisar a beleza e a harmonia divinas. Ele é o acorde cheio, perfeito, do qual os grandes músicos conseguem haurir a inspiração, traduzindo em suas composições algo da Perfeição Infinita".

E o cardeal cita que muitos dos gênios compositores que a história conhece se notabilizaram também na música sacra.
É que "a música sacra tem o dom de nos aproximar mais intimamente de Deus, pois coloca a inspiração, recebida D´Ele, em função do louvor de sua glória".
Dom Eusébio explica ainda que se pode encontrar uma raiz da música sacra nos próprios Salmos. Recorda que o termo "salmo" (em hebraico mizmor) já significa um tipo de canto, do qual a Bíblia registra 150 composições.
"Na Sagrada Escritura, a música aparece destinada ao louvor a Deus. Este é o grande ideal. Porém, não se excluem as festas, inclusive com danças, as comemorações, as celebrações de todo tipo, sejam profanas, sejam sacras. A Bíblia nos dá uma panorâmica completa sobre a música e o canto primogênito de Israel".
"O canto de louvor é uma oração modulada, harmoniosa. Quem cultiva o hábito de rezar já desenvolve a harmonia interna da própria atitude de falar com Deus. Se consegue colocar isso em canto, ou em música, melhor ainda", escreve o arcebispo.
E confessa que acredita "que no céu vamos saborear muita música: mais sublime, mais extraordinária do que qualquer uma que conhecemos, divinal... Será uma das expressões da nossa felicidade plena, na comunhão eterna com Deus".

Fonte: Dom Eusébio Scheid .


A CNBB deve proibir alguns CD's


Estou chamando a atenção dos que escrevem e cantam canções religiosas, para o perigo de ensinarem doutrinas imprecisas ou erradas.
Acho que posso e devo fazer isso. Depois de 35 anos cantando a fé, e depois de ouvir milhares de irmãos na fé a dizer que se inspiraram no meu trabalho, penso que seja meu dever vir a público para pedir aos cantores e compositores de música católica que tomem cuidado com o que dizem. Ninguém é tão culto que não precise ser corrigido. É sinal de amor à Igreja aceitar que outros nos ajudem a pensar a fé.
Conto um segredo que nem todos sabem. Nunca publico minhas canções sem antes deixar que ao menos três especialistas em Bíblia, dogma ou catequese opinem. Pergunto sempre se tal expressão não trairia alguma doutrina da Igreja. Talvez isso explique porque tantas pessoas admirem o conteúdo das minhas mensagens. Eu me deixo corrigir antes.
Espanta-me ver que compositores sem nenhum curso de teologia ou catequese teimem em publicar sem ouvir os outros. Para mim é falta de humildade. Destaco dos CDs religiosos que tenho comigo e do que já ouvi no rádio católico algumas frases heréticas que seria bom a CNBB proibir para o bem da fé católica:
• Jesus que és o nosso grande pai.
• Ó Maria, teu nascimento nos trouxe a salvação.
• Está morto naquela cruz eterna.
• Eu oro ao menino Jesus.
• Voltarei a viver neste mundo.
• Tenho mil pecados originais.
• Como disse São Matias no seu evangelho.
• Com seu manto apagou meu pecado.
• Estou salvo, jamais pecarei.
• Santa hóstia que esconde a trindade.

Uma comissão de catequistas deveria rever todas as canções gravadas nos últimos trinta anos e corrigir aqueles erros. Há canções ensinando um catolicismo errado. Sou compositor e aceito que comecem pelas minhas mais de 1000 canções. Que os outros façam o mesmo.

Fonte: Padre Zezinho, scj


Aprendendo a ser artista


Artista que é artista se apresenta diante de 3 pessoas ou de 3 mil...

Ouça com o ouvido e com o coração. A Palavra de Deus, mais do que compreendida, deve ser digerida, pois nem tudo entenderemos. Nem o próprio Jesus sabe o dia que Ele virá, mas só o Pai. E este dia nos traz uma verdadeira expectativa. Ele está chegando, devemos esperar com ânimo, com arte.
Eu sou um padre artista, sempre fiz "arte" desde criança. Artista não escolhe ser artista, ele nasce. Ser artista é uma sina, não é escolha. Todo artista é um relâmpago. Você é o relâmpago de Deus com 10% de inspiração e 90% de transpiração.
Vendo as pessoas encenando tudo igual e perfeito, vi que foi puro suor e trabalho. Precisamos ter o Espírito, mas também transpirar, praticar a arte de ser cristão. O artista é esse relâmpago de que nos falava a palavra de Deus. Ele não é uma hidrelétrica, pois quem é, é a Igreja. Ela é luz para o mundo, por essa luz ela ilumina o mundo.
Tem gente que deixa a sua arte relâmpago causar morte. Não come, só vive para a arte. Já vi muitos artistas com o poder de tal arte destruir um ministério. Eu sempre disse para os ministérios que eu acompanhei: "Deus tem um plano bem maior para você, que vai além da fantasia. Há a realidade".
Dois relâmpagos não se cruzam. Assim acontece com os artistas. Muitos, quando se encontram, saem faísca. No teatro, existe uma expressão que é tida como boa intenção: "dar a vez". Há muito artista que quer tomar o lugar de Jesus, mas o que importa é que "Ele cresça e eu diminua" (cf. Jo 3,30). Fique feliz se num momento você for esquecido, mas Deus for louvado.
O artista verdadeiro é aquele que não busca migalhas de palmas. Artista que é artista se apresenta diante de 3 pessoas ou de 3 mil. Não faz diferença diante de você a quantidade de público. O artista não depende do salário afetivo que recebe. O artista vive o mistério da solidão da clausura.
O momento de se preparar para apresentar é um momento de solidão acompanhada por Deus. Artista que não reza antes, apresenta o seu querer e não o de Deus. Você é o palco de Deus e, por isso, sua inspiração, muitas vezes, toma conta de você.
A inspiração tem, muitas vezes, começo, meio e fim, mas depois precisa ser trabalhada na transpiração. A arte é ecumênica.
Todo artista passa por um tempo de des-inspiração. Nessas horas, faça o que Maria disse: "Fazei tudo o que Ele vos disser" (cf. Jo 2,5). Vai rezar.

Um dia, teremos pessoas com arte nova, sem mediocridade, que sabe dar de si porque não se pertencem. Relâmpagos de Deus que vão clarear o mundo com nossa arte, que um dia se transformará em salvação.

Padre Joãozinho
Sacerdote do Sagrado Coração de Jesus


Oficina da Música Católica

Oficina da Música Católica


Áudio na Igreja
Por Samuel Mattos
Formado em Radio e TV, atua na área de áudio desde 1983. Tem cursos de aperfeiçoamento em Operação de PA, Estúdio e Software.


Introdução
Gostaria de conversar um pouco sobre um problema que muitas igrejas enfrentam na maioria de seus cultos: o som. As reclamações são sempre as mesmas: “está muito alto, está muito baixo, não se entende nada do que se canta, que ruído é esse, o microfone está falhando, não funciona, etc.”.
O maior problema que verifico quando visito igrejas para avaliação de seu equipamento de som, é a falta de preparo das pessoas envolvidas na operação do som, dessas igrejas. Quero dizer que se não houver um mínimo de investimento nas pessoas que diretamente irão lidar com o equipamento, de nada adianta investimento em equipamento moderno e de qualidade. Costumo fazer a seguinte comparação; pode ser qualquer tipo de aeronave, um jato moderníssimo ou um teco-teco, se o piloto não estiver preparado o avião vai acabar caindo.
Existem hoje no mercado inúmeros cursos que preparam profissionais na área de operação de áudio, habilitando-os para executarem os trabalhos mínimos relacionados ao som da igreja; por isso sempre aconselho à liderança da igreja que, se possível, patrocine ao candidato a operador da igreja, um destes cursos.
Nosso propósito nesta coluna é ajudar aqueles que não tiveram acesso a nenhum destes cursos, ou que já têm conhecimento ou experiência na área, mas mesmo assim ainda encontram muita dúvida no dia a dia de seu ministério de operadores de som da igreja - sim, ministério: considero que esta pessoa, assim como os músicos, ministros de louvor, pregador, evangelista, deva ter este chamado para atuar nesta área.
Microfonia
Um dos maiores “males” que afligem o operador de som em qualquer ambiente, é a famosa microfonia, ou realimentação acústica.
A realimentação é um fenômeno eletro-acústico que ocorre devido a um desequilíbrio das freqüências que estão sendo projetadas num determinado ambiente.
A microfonia é identificada como um apito forte, que ocorre quando as ondas sonoras emitidas por um alto-falante são captadas e reamplificadas pelo microfone que as originou. Muitas vezes começa fraco e vai aumentado gradualmente até que uma das fontes sonoras seja interrompida. Sendo assim, temos: microfonia de graves que mais se parece com um apito de navio, a microfonia de médios, parecida com o som produzido por uma corneta, e a de agudos, a pior delas, pois atinge freqüências altas que podem até prejudicar a audição, se não for controlada a tempo.
Mas o que provoca a microfonia ? Como já disse, é um desequilíbrio, que ocorre quando há excesso de volume em uma determinada freqüência. Por exemplo; quando ligamos um microfone próximo de um alto falante, o som captado pelo microfone, percorre um caminho, ou seja, entra pelo microfone, vai para a mesa de som, que o pré-amplifica e envia para os amplificadores que os enviam para as caixas de som. Quando esse sinal sai pelo alto falante, uma boa parte dele é nova mente captada pelo microfone, criando assim um ciclo vicioso. Até ai tudo bem, pois esse ciclo é natural num sistema de reforço sonoro. Porém quando uma determinada freqüência - seja de graves, médios ou agudos - é excessiva, esse ciclo se tornará audível e crescente até que passe a ser ouvido e interferir na qualidade do sistema sonoro.
Uma maneira de amenizar este problema é evitando que os microfones fiquem posicionados de frente para o raio de emissão dos alto-falantes. Porém sabemos que a acústica do ambiente proporciona um ganho em determinadas freqüências, o que aumenta a possibilidade de causar microfonia.
Pretendemos mais adiante tratar da questão da acústica do ambiente, mas quero falar sobre o uso dos equalizadores que, são uma grande ferramenta no sentido de amenizar o problema da microfonia.
Equalizando
Como falamos no item anterior, hoje iremos falar sobre equalização. Porém antes, precisamos compreender que a aplicação do equalizador em um ambiente a ser sonorizado tem a ver principalmente com a resposta de freqüências que a acústica do ambiente tem.
Explicando, cada ambiente tem um som próprio, alguns ressaltam freqüências graves, outros médias e outras agudas. Aí entra esta ferramenta, que nos auxilia a corrigir os excessos que tanto prejudicam a boa audição nos ambientes onde vamos sonorizar.
Infelizmente, devido principalmente às comuns reduções de orçamento na hora de se projetar uma igreja, é normal que a construção final tenha gravíssimos problemas de acústica. Existem paliativos, como carpetes, cortinas grossas, até a colocação de material absorvente nas paredes com o intuito de se diminuir reverberações, ecos, e ressonâncias, e realmente em muitos casos, a colocação desses materiais consegue amenizar bastante esses problemas. Porém sempre será necessário fazer correções de freqüência, com o nosso equalizador.
São vários os tipos de equalizador, sendo shelving os mais comuns, paramétricos, encontrados em muitas mesas de som e gráficos. Através da análise acústica do ambiente, aplica-se o equalizador aumentando ou atenuando uma determinada freqüência.
Imaginemos um ambiente, onde através da análise acústica se observa que a região compreendida entre 200 Hz a 280 Hz, é muito audível, e que chega até a provocar ressonâncias e microfonias. O papel do equalizador neste caso é exatamente este, diminuir a freqüência que estão sobrando. Um princípio básico, se esta faltando uma freqüência acrescente, se esta sobrando, atenue-a com o equalizador.
Na realidade o que estamos fazendo é exatamente equilibrar os excessos ou a falta de freqüências . O ouvido humano com o tempo, tende a perder a sensibilidade nos extremos, ou seja, nos graves e agudos (é o famoso efeito loudness), levando muitos operadores a reforçar essas regiões; porém é exatamente na região dos médios que está localizada a voz humana e toda a parte de inteligibilidade.
Inteligibilidade
Conforme destaca o dicionário, essa palavra vem do adjetivo inteligível, que significa “compreender bem”. O ser humano é capaz de ouvir as freqüências compreendidas dentro do espectro de freqüências de 20Hz até 20Khz. Como entender isso?
Imagine um teclado de piano: o lado que fica totalmente à esquerda representaria os 20Hz ou os sons graves. No lado totalmente à direita ficam os 20 KHz, ou, os sons agudos, na parte central estão os sons médios.
http://www.oficinadamusicacatolica.com/piano_spectro.gif
Sendo assim, podemos dividir este espectro de freqüências em Graves, Médios e Agudos, que por sua vez vão subdividir-se em Médios Graves, Médios Médios e Médios Agudos. Observe que nesta subdivisão os Médios foram subdivididos em Médios Graves, Médios Médios e Médios Agudos. É exatamente nesta região que encontramos as freqüências que são melhor compreendidas pelo ouvido humano. A ciência descobriu que os cães e morcegos, por exemplo, ouvem freqüências muito acima de 20 KHz, enquanto que os elefantes e baleias podem produzir sons muito abaixo dos 20 Hz.
É muito comum verificarmos, em muitas equalizações, nas sonorizações de nossas igrejas, as regiões Médias normalmente muito atenuadas, e aí esta um grande problema, pois como já dissemos, nesta região está a maior parte das freqüências que nosso ouvido compreende melhor. Nesta região está a voz humana, e a maioria dos instrumentos que fazem a parte harmônica da música, como violão, guitarra, piano, sax, etc.
Cabe então ao operador, treinar o seu ouvido para perceber quais são as freqüências que devem ser destacadas, seja da voz ou dos instrumentos. Não esquecendo que a resposta (acústica) do ambiente pesa muito, sendo necessário então um equilíbrio de todos estes fatores.

O Ministério de Música

O Ministério de Música

A música é um grande ministério capaz de realizar a união entre o sonho e a realidade, a razão e a emoção. É capaz de tocar as áreas mais profundas do coração do homem, enfim, ela é certamente, obra das mãos de alguém cheio de amor que pensa nos mínimos detalhes acerca dos alvos do seu amor, o homem.
O ministério de música tem a responsabilidade de resgatar a música de todas as distorções e do mau uso que fazem dela. O papel do ministro de música é de levar as pessoas a abrirem o coração ao louvor e a oração por meio da melodia e dos cânticos. Ministrar música é, sobretudo, ministrar o louvor ao Senhor. E como este é um ministério de louvor, os seus membros precisam ser cheios da unção de Deus, carregados da mensagem de amor que Deus tem para o homem, da mensagem do Pai para os seus filhos. Além disso, o ministro de música precisa também levar as pessoas a descobrirem o que há no mais recôndito dos seus corações, e fazê-los transbordar com seus corpos e suas vozes, um agradável louvor ao Senhor e uma explosão de verdadeiro e fraterno amor para com os irmãos. É preciso utilizar todos os recursos que a música possui para alegrar o coração de Deus e dos homens. Quando bem trabalhada e usada em todas as suas potencialidades, a música transforma o coração do homem, por isso é papel do ministro de música, descobrir uma forma de extrair dela o máximo de sua beleza e riqueza, a fim de encontrar e converter aqueles que, até então, só tinham ouvido algo vazio, sem mensagem de vida eterna.
A música, dentro da nova evangelização, é um meio eficaz para levar o amor de Deus aos corações sofridos, desanimados, cansados, perdidos e resgatá-los para Ele. O ministro de música tem como missão primordial evangelizar e a sua postura a de alguém que está continuamente em sintonia com o criador, pra que a música ministrada por ele, quer seja por meio da sua voz ou pela execução de seu instrumento, cumpra o objetivo de alegrar, de enternecer, de fazer voltar o coração do homem para Deus, para as coisas verdadeiras. Precisa ser plenamente consciente de que é apenas um pequeno instrumento nas mãos de Deus, de que é um servo de Deus, de que tem um chamado de Deus, de que possui um dom dado por Deus e de que este dom não é seu e sim Daquele que por misericórdia lho deu. E o deu para que o servisse, para que levasse o seu amor aos homens, para que levasse a verdade aos homens e a verdade os liberte. Os homens têm sede de Deus e estão cansados de ouvir música que não acrescentam em nada a eles, pelo contrário, tiram deles, tiram a sua dignidade, a sua pureza, a sua castidade, a vivência do amor verdadeiro, o respeito devido ao outro, que tiram deles a consciência necessária para ser feliz e fazer os outros felizes. Os homens não necessitam de mais uma música bela, mas de músicas cheias da unção de Deus, cheias de testemunho vivo do amor de Deus pelo seu povo. Músicas que façam a diferença, que os ajudem a buscar uma vida nova, que sejam profecias de Deus, que os curem, que os libertem de todo mal, que os ajudem a buscar a verdade pessoal e não a mentira, a fantasia, a ilusão, que os aprisionam e denigrem a sua verdadeira imagem que é a de Jesus Cristo, que sejam capazes de elevar os frascos, de aliviar a dor que muitos carregam em seus corações.
O ministro de música deve ser alguém que carregue em si uma forte experiência com o Senhor, porque possui a grande responsabilidade de ser canal para que a graça de Deus seja derramada em profusão na vida de seus filhos, ser canal da água viva que regará a vida de seus filhos, que dará vida verdadeira e em abundância à vida medíocre, mundana, sofrida de seus filhos.
O ministro de música precisa colocar totalmente à disposição de Deus este dom, precisa colocar nas mãos de Deus a sua voz, o seu instrumento, os seus acordes, porque não é chamado a utilizar a música como passatempo, para fazer um "show", para aparecer ou ser elogiado, mas para cumprir a vontade de Deus, para servir a Deus, para que Deus seja glorificado e amado, para ajudar a colocar o coração dos homens em sintonia com o de Deus. Quem deve aparecer é Deus e a sua verdade. A sua música deve ser ou deseja que seja uma profecia da própria vida, deve haver uma unidade entre aquilo que ele canta e aquilo que ele vive ou deseja viver. Somente assim será terra boa onde o Espírito Santo poderá produzir os seus frutos.
Existe um aspecto muito importante que não pode ser esquecido pelo ministro de música, que é a maneira como deve apresentar-se. Suas roupas devem ser sóbrias. Roupas coloridas demais, saias curtas, blusas e calças justas não são devidas. Também deve ter cuidado com a forma que canta e dança, para não expressar sensualidade e descaso.
Além de todos estes aspectos existe um que é o mais importante de todos: estar aos pés do Mestre. O ministro de música precisa ser uma pessoa de oração, de adoração, de estudo bíblico, de busca freqüente aos sacramentos da eucaristia e reconciliação, ter amor e devoção a Maria, fazer parte de um grupo de oração ou comunidade.
Peçamos ao Senhor a graça de ser como Davi, cheio da sua unção, capaz de expulsar todo o mal e acalmar os corações aflitos através do ministério de música. Bendito seja Deus para sempre!

 

Os 30 pecados do músico católico

Os 30 pecados do músico católico


 “Um bom líder sabe que varias cabeças pensam melhor que uma"

1- Fazer do altar um palco
2- Impor sempre seu gosto pessoal
3- Cantar por cantar
4- "Só toco se for do meu jeito"
5- Ir sempre contra a idéia da equipe de celebração e do padre
6- Escolher sempre as mesmas músicas
7- Nunca sorrir
8- Usar instrumentos desafinados
9- Tocar músicas de novela em casamento
10- Afinar os instrumentos durante a missa
11- Colocar letra religiosa em música da "parada"
12- Nunca estudar liturgia
13- Não prestar atenção na letra do canto
14- Não ler o Evangelho do dia antes de escolher as músicas
15- Cantar forte demais no microfone, ou seja, o seu é sempre o mais alto
16- Volume dos instrumentos (muito) acima do volume dos microfones
17- Coral que canta tudo sozinho
18- Cantar só para exibir-se (estrelismo)
19- Distrair a assembléia com conversas paralelas durante a missa
20- Não avisar ao padre as horas que serão cantadas
21- Nunca ensaiar novas canções nem estudar o instrumento que ministra (voz, violão,
teclado...)
22- Ensaiar tudo antes da missa
23- Cantar músicas desconhecidas
24- Usar roupa bem extravagante, que chame a atenção
25- Fazer de conta que está em um show de rock
26- Perder contato com a assembléia
27- Músicas fora da realidade e do tempo litúrgico
28- Fazer o máximo de barulho
29- Não ter vida interior, oração com o Ministério inteiro ou falsa humildade
30- Repetir no fim de cada celebração: "vocês são ótimos, eu sou apenas o máximo!
"Com isso podemos começar a servir a Deus. Um bom líder sabe que varias cabeças pensam melhor que uma!


Padre Joãozinho - scj e Serginho Valle

Festa Junina do grupo de jovens calvario

O Perfil do Ministro de Música

O Perfil do Ministro de Música

"... tenha visto um filho de Jessé, o belemita, que sabe tocar e é um valente guerreiro, fala bem, e é de bela aparência e Iahweh está com ele". (I Sm 16, 18)
O ministro de música, antes de tudo, deve ser um homem de Deus. Deve ter uma vida reconciliada com Deus e os homens em vista da missão dada por Ele mesmo: evangelizar com a arte musical. Deve ser como Davi, que além de tocar era um valente guerreiro que falava bem e de boa aparência, no entanto o mais importante era que o SENHOR estava com ele: ele era um homem de Deus. quando se fala de perfil do ministro, está se falando do pensamento do ideal para o serviço, que se constrói na vida cotidiana. Assim, enumeramos o que vem a ser luz e motivação diante do que Deus quer realizar:
1- Silêncio
"... um tempo para falar e um tempo para calar". (Eclo 3,7)
O ministro de música precisa valorizar devidamente o silêncio dentro do seu ministério, sabendo discernir quando e como fazê-lo, este momento não deve ser infecundo, mas fecundo, pois é exatamente neste silêncio que Deus o visita e irriga a semente que Ele plantou; a postura adequada é de escuta e acolhimento ao que Ele plantou, a postura adequada é de escuta e acolhimento ao que Ele tem para dar.
É importante o silêncio no ministério, mas também é importante o silêncio do ministro de música, é sobretudo o próprio ministro que deve saber o tempo de calar e o tempo de ação, canto, evangelização.
Muitas experiências com Deus se dão no silêncio que se faz em Sua Presença e Majestade, vemos então a importância do silêncio, pois se há experiência há testemunho, e qual seria o sentido de ministrar música se não sou testemunha? Se no meu canto não há verdadeira evangelização? Tudo parte do meu silêncio orante diante de Deus e então começa a verdadeira missão, fundamentada na Vontade de Deus.
2- Obediência
"Eu sou a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra".(Lc 1,38)
Os que por Deus são chamados a serem ministros de música recebem com este chamado graças que o capacitam a corresponder esse chamado, dentre elas a obediência.
O que é a obediência do ministro de música senão fazer a vontade de Deus? Um músico eleito não faz mais a sua vontade, mas a de Deus, a não ser que sua vontade coincida com a de Deus... Mas sabemos que nem sempre é assim, então Deus nos concede a graça para que se possa ser fiel a Ele.
Na verdade não existe ministro de música não obediente, pois ser ministro de música não é uma escolha do músico, mas de Deus, e se o músico diz Sim ele correspondeu ao chamado Divino, em outras palavras: obedeceu.
A primeira pessoa a quem o ministro de música deve obediência é a Deus. As pessoas que devemos obedecer são na verdade, Mediadores da autoridade concedida por Deus. Devemos obediência as nossas autoridades, não por elas mesmas, mas porque a elas foi dada a missão de representarem a Deus.
O músico deve ser atento a sua vivência da obediência, pois Deus lhe chama constantemente a obediência para ser feliz, na oração pessoal, na leitura de Sua Palavra, na eucaristia ou através da mediação das autoridades constituídas por Ele, de uma maneira muito especial, as autoridades eclesiásticas, mas também o coordenador do ministério, por exemplo.
A obediência é uma grande fonte de bênçãos, eficaz instrumento que o Senhor utiliza para purificar a nossa vontade nos tornando livres para seguir Jesus Cristo. (cf. ECCSh 131).
a eficácia de uma evangelização depende totalmente da obediência, sem a obediência tocar ou cantar será em vão, de nada valerá..., pelo menos para nós, embora parcialmente edifique os outros.
3- Profissionalização
Além de uma necessidade e de ser vontade de Deus, a profissionalização é uma fonte de eficiência diante do empenho que é exigido no serviço, não deixando, de exigir um empenho próprio para conquistá-la, com entusiasmo e perseverança. É muito importante ressaltar que ela está abaixo do amor a Deus, não pode ser prioridade quando não há vida concreta de oração, pois será um simples sinal deste amor.
Na velha batalha entre a vida espiritual do ministro e o seu desejo de progresso, no tocar ou no canto, que só será verdadeiro se for fruto do progresso interior, pode-se dizer que profissionalizar-se é viver um dos aspectos necessários no cumprimento da missão própria do ministro de música, afinal Deus fará na humanidade do servo a aptidão natural aperfeiçoada pelo conhecimento, estudo técnico, cuidados básicos com os devidos instrumentos utilizados, desde a bateria até as cordas vocais.
Haja, contudo, um cuidado quando se busca a técnica, com a influência de instrutores(as) de música que tenham, além de uma visão, uma vida ou ideologia não evangélica, especialmente na área específica da qual estamos tratando. Isto para que não haja quebra de uma reta intenção do coração, muito menos a direção que deve tomar o ministro no seu serviço. Se a técnica é instrumento de desvio, melhor seria operar a graça na "fraqueza" do servo. Ser um profissional no Reino pede uma maturidade e uma abertura para que Deus continue sendo o centro das opções e da vida do músico.
4- Humildade
O humilde, pousa os olhos no Senhor: "Tu sois Santo, Tu sois Altíssimo." Sabe que por si só nada tem e nada é; reconhece imediatamente o bem que em si existe e as qualidades que possui, mas tem sempre em mente a expressão: Que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias como se não o tivesses recebido? (I Cor 4,7); humilha-se no reconhecimento do seu próprio nada e da sua absoluta dependência de Deus, e mantém-se no lugar que lhe compete.
O humilde vê com clareza que tudo recebeu de fora, tanto na ordem da natureza: vida, corpo, inteligência, talento, saúde e força, olhos, membros, etc; como na ordem da graça. "Deus produz em nós o querer e o agir"(Fil 2,13), "não que por nós mesmos sejamos capazes de pensar coisa alguma, porque a nossa suficiência vem de Deus"(II Cor 3,5); nenhum pensamento, nenhuma decisão salutar, grata a Deus, nenhuma obra boa, nem mesmo a mais íntima, nenhuma oração. Nenhum ato de fé ou de caridade provêm do servo nem pode-se tomar completamente para si. Mesmo a cooperação com a graça, o fato de não se abusar dela e de se lhe corresponder inteiramente, é fruto da ação de Deus na vida do ministro. Quão exatas são as palavras do Apóstolo: "Que tens tu que não tenhas recebido?" Nada, absolutamente nada !
Ele sabe, todavia, que há algo exclusivamente do homem: o pecado. O humilde sabe muito bem que, abandonado a si mesmo, só disso é capaz: de pecar. Se não caiu ainda nestes ou naqueles pecados, não o deve a si mesmo, mas unicamente a Deus que, na sua infinita misericórdia, o preservou: isolado não teria podido defender-se. Como o publicano do Evangelho, reconhece-se pecador, e indigno de levantar os olhos ao céu, indigno da estima e do afeto dos homens; merecedor de ser tratado apenas como é: um pecador.
É dizer como São Francisco: "Quem és Tu, quem sou eu". É olhar para si com os olhos de Deus para conhecer-se, acolher-se e amar-se com o Seu amor. Como transbordamento de uma conversão que se dá constantemente a partir deste conhecimento saberá o ministro ser, na sua missão, o que Deus quer, o que Ele pensa, o que Ele espera.
5- Serviço:
Aquele que serve "deve 'fazer-se tudo para todos'(I Cor 9,22) a fim de conquistar todos para Jesus Cristo... Particularmente, não imagine ele que lhe é confiado um único tipo de almas..." (CIC 24)
Uma forte característica do bom ministro de música é o serviço: lavar os pés dos outros com água nova, amar a todos, dar-se sem medir, fazer a vontade de Deus... sempre no louvor, fazendo uso de uma linguagem atualizada e própria para cada instante. Aqui se pode destacar tanto a renovação do repertórios utilizados nas diversas assembléias (congressos, cursos, missas...), como o uso dos carismas em benefício do povo ao qual se serve.
É importante, neste aspecto do serviço, refletir que:
SER DA LINHA DE FRENTE é servir primeiro, buscando imitar mais de perto o Senhor, sofrendo as primeiras conseqüências, chegando antes e saindo depois.
ESTAR NA OFENSIVA E NA DEFENSIVA é servir na batalha espiritual, ao Senhor e ao seu povo. Dispor tudo para Deus indo contra a ação silenciosa, sutil ou mesmo nítida do inimigo, intercedendo para que se abra o céu num derramamento de graça. Estar atento ao que possa romper com a ação de Deus e pela graça, pela unção, defender a assembléia, "o coração do homem", contra os ardis do demônio, ou mesmo, contra as próprias tendências da carne.
O ministro de música está:
- A serviço da Trindade: Servir ao Pai, por Cristo, no Espírito, fazendo, por sua vez, a vontade de Deus - como Jesus, pobre, obediente e casto - na unção do Espírito, precisando ir onde Deus mandar, esperando, vivendo e crendo n'Ele. Por amor...
- A serviço do povo de Deus: Ë para o povo que existe o ministério de música. Este é auxílio, porte da graça. Deus realiza por meio de homens para alcançar outros homens. Não é fazer o que o povo quer e sim saber o que Deus quer fazer em favor do povo. Servir bem é, portanto, dar somente o que vem de Deus para saciar a fome e a sede do povo.
- A serviço da Igreja: Ministramos o que cremos e não a nós mesmo, e não a cultura, o conhecimento por ele mesmo, a lógica. Ministramos a verdade conhecida e experimentada, a graça recebida e transbordada, a fé acolhida e vivenciada. É indispensável a coerência entre a vida do servo e a fé professada pela Igreja, afinal, como Igreja as partes formam um todo que necessita estar em unidade e esta unidade exige conhecimento, busca da verdade, renúncia das próprias mentalidades geralmente formadas pelos ditames do mundo.
6- Disponibilidade
Numa visão generalizada aquele que deseja cuidar com fidelidade da missão à qual o Senhor lhe convidou a servir, necessita estar disposto a dar-se sem medidas. "Amar é dar-se até doer". (Madre Teresa de Calcutá). O ministro de música é igualmente chamado a sair de si, a servir. Não é um ministério para os que se servem, nem tão pouco para os que preferem servidos, mas para os que preferem oferecer gratuitamente o que recebem de Deus e o fazem por gratidão ao próprio Deus. O desejo do sacrifício deve, assim, ser como um motor que leve o eleito a sempre ir além, a dispor não somente as suas possibilidades e potências ao Senhor e aos irmãos, mas ao sacrifício cotidiano do que é lícito para unir, como a viúva no templo, o que de nós é mais precioso em favor da edificação do Reino.
Existem, contudo, algumas formas de servir-se no ministério: não participar de ensaios; não comparecer às formações; cantar ou tocar apenas o que se gosta ou quando se está bem, ou ao menos considera estar bem. Quem está neste rol precisa buscar a sua verdade pelo fato de ainda não ter entendido que ministério é serviço a Deus e ao outro.
7- Maturidade humana
Ao falarmos sobre o tema maturidade humana imediatamente imaginamos que seja o momento da vida do homem no qual alcançou o discernimento pleno para dirigir sua vida e realizar grandes coisas sozinho, no entanto, na vida cristã, o homem atinge a maturidade no momento em que conhece a sua verdade, sua pequenez, sua fraqueza, lança-se inteiramente nas mãos de Deus e colabora com a sua ação.
Exatamente porque reconhece a sua fragilidade, sua pequenez, sabe que não pode dirigir sua vida sozinho, necessita da ação do Espírito Santo sobre a sua natureza humana, porque só o Espírito desenvolve perfeitamente as suas capacidades humanas, intelectuais, espirituais, suas aptidões, até que alcance a idade madura.
Uma boa maneira de perceber como se caminha para a maturidade é poder responder, na verdade a algumas indagações como:
- Tenho compreendido que necessito me relacionar intimamente com o Espírito Santo? Sou um daqueles que agem como se o Espírito Santo não existisse? Tendo o Espírito Santo em mim, posso continuar com uma vida medíocre?
- Sou bastante dócil ao Espírito Santo, bastante disponível para seguir seus conselhos ditos em segredo ao meu coração, seus misteriosos convites? Sou capaz de responder a seus apelos pelo verdadeiro progresso que é o interior?
- Tenho agilidade diante dos impulsos do Espírito Santo? Deixo o Espírito Santo inteiramente livre para dirigir a minha vida de acordo com a sua vontade?
- Tenho colaborado com todas as minhas forças com a ação do Espirito Santo para que todas as minhas aptidões, talentos sejam plenamente desenvolvidos? Deus me deu muitos talentos a nível espiritual, humano, intelectual e eu tenho colaborado para que estes talentos se multipliquem?
- Nas minhas tribulações, nas minhas dúvidas, tenho sabido invocar o Consolador? Sou eu um obstáculo à ação do Espírito Santo em minha própria alma?
- É mais um dos caminhos que o ministro necessita, com diligência, trilhar para servir conformado ao Evangelho. Como ensina a Santa Madre Teresa de Jesus de Ávila: "Quanto mais humano, mais santo".
8- Unidade
Para que a música seja ministrada com poder, na ação do Espírito, é preciso que haja harmonia de relacionamento entre aquele que ministra a música e aqueles que irão fazer uso da Palavra; entre quem anima e quem conduz a oração; entre vocal e instrumental; entre vocais; entre instrumentistas; entre ministério e assembléia. Enfim, a unidade, que será fruto de uma graça de oração e docilidade à ação do Espírito, é essencial para que todos bebam de todo bem, graça e unção que Deus deseja derramar.
Por exemplo, após uma pregação a música a ser ministrada deve ser uma continuidade de tudo o que foi pregado, desta maneira, não haverá quebra no que estava sendo conduzido. Para haver esta harmonia entre a pregação e a música, o ministro deve estar atento o tempo todo ao que está acontecendo, ao que está sendo falado.
Em outros casos, como a Celebração Eucarística, é preciso haver coerência entre o tom da liturgia, conforme o tempo onde se está celebrando, e o serviço na música. Na quaresma não se canta o glória nem aleluia, caso o ministro não seja bem formado e faça uso de um desses cantos, estará indo de encontro com o que pede a liturgia, e isto é uma forma de se quebrar a unidade.
Existem muitas formas de construir ou de quebrar a unidade, cabe a cada ministro o zelo pelo conhecimento pessoal das mentalidades que se traz quanto ao "ser" e o "fazer" o melhor, como no que diz respeito ao conhecimento intelectual de liturgia, oração de grupo, animação, da mesma forma, que o conhecimento da vontade de Deus para cada instante em que se serve. Sem docilidade e disponibilidade a Deus e aos irmãos não se constrói a unidade.

9- Postura
Para ministrar com poder também é preciso um cuidado com a aparência, pois o músico deve sempre ter a postura de servo, para Jesus aparecer no seu lugar. Outrossim, como o músico é templo do Espírito Santo ( I Cor 3, 6 ), deve cuidar do templo que é ele mesmo e vestir-se com sobriedade, usando roupas que não provoquem sensualismo. Não vista-se com exuberância, mas com simplicidade. Para facilitar, é bom até que se tenha um uniforme, algo simples, para ser usado nas apresentações, eventos ou missas e dar um toque especial na unidade.
A postura do músico não deve ser a de aparecer com seu instrumento ou sua voz, mas de deixar Cristo aparecer em si mesmo. É importante que o músico cante com o corpo todo, mas que não faça gestos exagerados nem escandalosos.
O músico não precisa focar escondido atrás das caixas ou do seu instrumento. Há pessoas que se escondem atrás de uma guitarra, ou de um teclado, para não deixar que Jesus o cure e o toque!
Outra dica importante é evitar conversas paralelas que não estão no contexto do evento e que não hajam certos tipos de brincadeiras, durante a atuação do ministério, ou melhor, a sobriedade caminhe ao lado de todo aquele que se dispõe ao serviço.
10- Alegria
São Tiago nos diz: "Está alguém alegre? Cante salmos" ( Tg 5, 13 ).
A alegria é a expressão maior de quem tem Deus no coração. Dizia Santo Agostinho: "Um Santo triste é um triste santo!". O coração e o rosto do músico devem transbordar de alegria, pois não convence ninguém um cantor que ministra sem a graça do louvor e da alegria.
"Alegre-se o coração dos que buscam o Senhor" ( Sl 105, 3 ).

A Música no Plano de Deus

A Música no Plano de Deus



O Criador tem uma missão toda especial para a música dentro do Seu plano de restauração da criação. É Seu desejo ensinar ao seu povo um cântico novo, sinal pelo qual serão reconhecidos os seus escolhidos.
  1. Canto e diálogo com Deus
Desde muito tempo atrás o canto tem sido um meio quase perfeito de diálogo entre Deus e o seu povo. Desde Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Davi, Jesus e os apóstolos, todos tiveram maneiras de expressar a Deus seus sentimentos através do canto.
Por ser uma linguagem tanto mais alta quanto mais perfeita do que a das palavras, a música tem sido um excelente meio de o homem expressar situações de busca, triunfo, luta, alegria, amor, dor, fracasso, protesto, etc.
Além de expressar todas estas situações de maneira tão vigorosa, o canto é também a melhor maneira para pedir a presença de Deus no meio das assembléias e também quando se está sozinho, pois através da música é muito mais fácil dirigir a palavra a Deus, pedindo-lhe perdão, bençãos, e principalmente dando-lhe graças por tudo que Ele é, fez e faz em sua infinita bondade e misericórdia.
O ponto forte da música é, porém, o louvor. A especialidade da música deve ser o louvor a Deus. Se o meu canto não louva a Deus, de pouco serve o meu canto. De uma maneira toda especial, o canto é marcado pelo amor. Lembro-me de uma música que diz com muita propriedade: "O meu louvor é fruto do meu amor por ti, Jesus".
E como o canto se presta de modo especial para o louvor do Senhor Criador e Salvador, temos que atentar muito para o fato de que através da música que fazemos ou cantamos podem ser transmitidos muitos tipos de mensagens e sentimentos. O canto é uma linguagem que pode ser usada pelo e para o bem e também para o mal.
Vemos claramente situações em que a música não é usada para o bem quando, por exemplo, nos campos de batalha incita os ânimos para a guerra, ou ainda quando nas boates excita e estimula os desejos carnais. Nestes casos a música não se presta para o louvor a Deus e perde a razão de ser.
Vemos então que música pode se apresentar com três faces: música divina, música puramente humana e música maligna. Por esta razão, devemos agir com muito discernimento, na fim de não corrermos o risco de cantarmos músicas malignas ou humanas com letras cristãs, pois estaríamos nos arriscando a cantar sobre Cristo e servir ao mal, à maneira do que fazem grupos como os "Meninos de Deus", dentre outros. Vemos que a música é um meio eficaz de diálogo com Deus e assim serve para construir e edificar o homem, mas que pode igualmente servir como meio para destruí-lo e levá-lo a alienação.
  1. A Música evangelizadora
O canto é sempre uma evangelização, principalmente quando através dela proclamamos que Deus existe e que Ele criou o mundo e todas as coisas. Também se presta para evangelizar quando através dele cantamos a pessoa e a vida de Jesus, sua obra salvífica, sua Igreja e esperança de vida eterna, ou ainda quando ressaltamos a ação de Deus na vida de Maria e dos santos.
No entanto, o canto adquire admirável poder evangelizador quando sua mensagem traz trechos da Bíblia e leva as pessoas a meditarem e tomarem decisões de conversão, além de mais facilmente memorizarem passagens e mensagens da Bíblia. Assim, a música é plenamente evangelizadora quando transmite literalmente textos bíblicos.
Para ser evangelizadora, a música deve ser celestial e como tal apresenta-se de duas formas:
  1. no linguajar comum - nesta forma, a música anima a assembléia, formando-a, unificando-a em uma só oração. A medida que a assembléia vai cantando, vai se assemelhando a uma só voz que canta, parecendo uma só pessoa cantando com a ajuda inestimável dos anjos. O Espírito Santo faz com que as muitas vozes que cantam - embora sejam muitas e diferentes - unam-se em um só louvor.
  2. com cânticos espirituais inspirados pelo Espírito Santo - de maneira suave e lenta o Espírito Santo vai suscitando este canto tão agradável ao Senhor. Quando cantamos assim só temos que ter cuidado para não nos deixarmos levar pela impolgação do momento e nos perdermos individualmente em Deus e assim realizarmos um culto particular. É muito importante, neste caso, escutar os outros cantando e procurar entrar na mesma harmonia. Sendo assim, com o tempo, observaremos como o cântico traz bênçãos para o grupo, levando-o para o alto. Neste tipo de canto, até mais que o canto em linguagem comum, os Anjos se aproximam e dão uma cobertura toda especial ao louvor. Eles cantam conosco, tocam, expulsam para longe o inimigo que nos quer tirar desta presença maravilhosa de Deus. E nesta harmonia celeste o canto começa a subir para Deus, ao mesmo tempo em que vai curando e restaurando as nossas almas.
  1. O ministério da música na Bíblia
A Sagrada Escritura nos ensina que o ministério de música é algo antigo e que foi instituído na casa de Deus através do Rei Davi. Ela nos mostra também como o ministério deve ser organizado e conduzido e de que forma a música serve de auxílio indispensável aos demais ministérios como cura e libertação, profecia, animação e coordenação. Eis alguns dos eloqüentes exemplos que nela encontramos.
  • I Sam 16,23 : "E sempre que o espírito mau, permitido por Deus acometia o rei Saul, Davi tomava a harpa e tocava. Saul acalmava-se, sentia-se aliviado e o espírito mau o deixava". Vemos neste texto Saul atormentado por espíritos malignos, e libertado pela música ministrada por Davi com sua harpa. O ministério de música é aqui usado em seu aspecto libertador e curador, o que demonstra o seu grande poder e o auxílio que presta ao ministério de cura e libertação.
  • Rs 3,1 4-18 : "Eliseu disse: ‘trazei-me um tocador de harpas.’ Apenas fez o tocador vibrar as cordas, veio a mão do Senhor sobre Eliseu... e ele profetizou dizendo: ‘Ele também vai entregar Moab em suas mãos.’" Nesta passagem nos deparamos com o fato de que Eliseu, embora fosse um grande profeta, ter precisado que o ministro de música viesse com a sua harpa tocar. Isto abriu espaço para o Espírito Santo inundar o profeta e levá-lo a profetizar a vitória do povo de Israel sobre o povo de Moab.
Este fato nos leva a perceber com é fundamental o auxílio do ministério de música ao da profecia. Por isso todas as vezes que nos grupos de oração, assembléias e reuniões comunitárias há música e louvores no Espírito os corações se abrem com maior facilidade para o dom da profecia e o Senhor pode então falar ao grupo e dirigi-lo. O ministério de música está, assim, estreitamente ligado ao ministério de profecia que, além de ser preparada e estimulada pela música, pode também ser expressa em forma de profecia cantada.
  • I Cor 15,16-22 : "Davi disse aos chefes dos levitas que estabelecessem seus irmãos como cantores com instrumentos de música, cítaras, harpas e címbalos, para que sons vibrantes e alegres se fizessem ouvir. Os levitas constituíram Hemã, filhos de Joes, e dentre seus irmãos, Asaf, filhos de Baraquias... Zacarias, Osiel, Semiramot, Jaiel, Ani, Eliab... os porteiros. Os cantores Hemã, Asaf e Etã, tinham címbalos de bronze... Zacarias, Osiel, Semiramot... tinham cítaras em soprano..."
Ao ler este texto poderíamos perguntar para que tantos nomes e para que tantas especificações. Na verdade, tudo isto é de fundamental importância pois nos ensina que o ministério de música era, para os levitas e para Davi, algo organizado e definido. Este texto mostra que não era algo improvisado, formado na hora da necessidade, com pessoas que se encontrem por perto e cantem bem, como, infelizmente estamos acostumados a ver em muitos dos nossos grupos. O ministério de música deve ser planejado, estruturado, ungido e enviado. Deus quer hoje suscitar em todos os grupos e comunidades pessoas que realmente, como na época de Davi, se dediquem a este ministério; pessoas encarregadas do cântico na casa de Deus.
  • I Cronica 25,1-7 : "Eis a lista dos homens encarregados do serviço do canto: dos filhos de Asaf: Zacur, José, Natania e Asarela que profetizava segundo as ordens do rei. De Iditum: Godolias, Sori, Jesefas,... que profetizava com a cítara para cantar e louvar ao Senhor... Eis portanto os que, sob a direção dos seus pais estavam encarregados do canto no templo. Tinham címbalos, cítaras e harpas para o serviço do Templo, sob as ordens do Rei Davi, de Asaf, de Iditum e de Hemã. O número deles, juntamente com seus irmãos exercitados em cantar ao Senhor, todos hábeis em sua arte, atingia o número de duzentos e oitenta e oito."
Observamos nesta passagem como o ministério da música era bem definido e como cada um ocupava um lugar determinado.
Outro ponto muito importante neste texto é a clara noção de submissão e autoridade. Sem estas definições é impossível se fazer algo construtivo na Igreja. Precisamos crescer no serviço do Reino de Deus e só vamos crescer dentro da virtude da obediência e da submissão, a exemplo do próprio Jesus que por sua obediência tornou-se Rei e Senhor (Fl 2,6).
Outro aspecto importante neste texto é o que diz o versículo 7: "todos eram hábeis na arte de cantar". Como nos tornamos hábeis em alguma coisa? Dedicando-nos a ela de maneira especial. Era assim que os levitas se dedicavam ao seu ministério de cantar e tocar no Templo. Eram hábeis porque estudavam e aperfeiçoavam os instrumentos e as vozes. Não consideravam o ministério de música como algo puramente místico ou espiritual, mas sabiam que para exerce-lo bem deveriam exercitar-se e aprimorar-se, a fim de fazer para Deus o melhor possível e abrir-se mais eficazmente às moções do Espírito.
Se naquela época já era assim, quanto maior responsabilidade e dever de nos aprimorarmos temos hoje, quando foram desenvolvidas novas técnicas para cantar e tocar e quando a ciência da música é tão rica e abrangente! Se os cantores e os instrumentistas do mundo se esmeram horas a fio para aprimorar suas técnicas em favor apenas de si mesmos, quanto mais não devem os ministros de música serem instruídos e se aprimorarem a fim de se tornarem hábeis no ministério de tocar e cantar para o Seu Deus e senhor! O Espírito Santo poderá utilizar-se melhor de pessoas bem treinadas e ungidas para louvarem Aquele que é digno de todo louvor.
  • I Cronica 23,5 : vemos aqui a preocupação de Davi em separar 4000 homens entre os levitas só para celebrarem o Senhor através da música. Encontramos no Antigo Testamento outras passagens semelhantes a esta como II Cr 29,25-31, onde se vê que o Rei Ezequias considerou fundamental o canto na restauração que fez no culto no Templo do Senhor, mostrando assim que a música tem papel fundamental na obra nova, no novo culto que era implantado.
  • I Cor 14,15 : "orarei com o espírito, mas orarei também com o entendimento, cantarei com o espírito, mas cantarei também com o entendimento." São Paulo deseja nos ensinar aqui que em nossas assembléias precisamos cantar músicas dos folhetos, mas também precisamos cantar as músicas que o Senhor inspirar através do Espírito Santo. Entretanto, para cantar com o Espírito e para cantar com o entendimento precisamos de unção, pois Deus não se agrada de cânticos apenas profissionais e resultantes de simples técnicas humanas. Precisamos de boa técnica, mas, com ela e acima dela, da unção do Espírito de Deus, inspirador de todo louvor.
  • Ef 5, 18-21 : "Enchei-vos do Espírito e não vos embriagueis com vinho que é fonte de devassidão. Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor." Aqui Paulo, além de falar dos hinos (cânticos de folhetos) e cânticos espirituais (inspirados pelo Espírito), diz que cantemos o nome do Senhor com os salmos.
O ministério de música nos grupos e assembléias precisa crescer nesta forma de oração: "cantar com os salmos". Uma vez que os salmos são um excelente método de oração e não são escritos para serem lidos e sim para serem orados, o ministro de música pode conduzir a assembléia a cantar os salmos. Como fazer? A melhor maneira é escolher o salmo que a Igreja indica para aquele dia, pois assim se ora com toda a Igreja de Deus. O ministro da música pede ao Espírito Santo que sopre uma melodia e começa a cantar o salmo. Daí cada um segue cantando com a canção que o Espírito lhe inspirar. Esta maneira de orar é algo tão do agrado de Deus que nós vemos no Evangelho de Mc 14,26: "Terminado o canto dos salmos, saíram para o Monte das Oliveiras". Não podemos deixar de utilizar esta forma de louvar a Deus, adotada pelo próprio Jesus e seus discípulos.
  • Apoc 14,1-5 : "Eis os escolhidos que traziam na fronte o nome dele e o nome de seu Pai. Ouvia, entretanto, um coro celeste semelhante ao ruído de muitas águas... cantavam como que um cântico novo... ninguém podia aprender este cântico, a não ser os escolhidos..." E para que os escolhidos aprendam a cantar este cântico novo é preciso que comecem agora , através do ministério de música a se abrirem a ação do Espírito que quer ensinar-lhes a cantar.
  1. O ministério da música nas celebrações eucarísticas
Como vimos nos livros sagrados, a atuação do ministério da música era algo comum e muito bem organizado. Em nossos tempos não deveria ser diferente. Seja em grandes assembléias, noites de louvor, grupos de oração, seminários ou outros, o canto como forma de louvor, auxílio na oração e abertura e incentivo à manifestação dos carismas do Espírito deverá estar a cargo de um ministério de vozes e instrumentos bem treinado e muito ungido.
É na Celebração Eucarística que o ministério de música atinge seu sentido mais profundo, pois é na celebração da Palavra e do Corpo do Senhor que a Igreja se reúne para celebrar sua maior alegria e mistério.
A função do ministério da música aqui vai além do louvor e oração para o ministrar a música e ao mesmo tempo ensinar e incentivar o povo a participar com voz, corpo e coração dos cânticos, parte essencial da liturgia da Grande Festa que é a Eucaristia.
O momento da missa não é momento de espetáculo ou show onde os ministros de música exibem seus valores ou conquistas, mas é o Corpo de Cristo unido para louvar o seu Deus, o seu Tudo. Neste momento quando a Igreja reunida, povo de Deus está em torno do altar e goza da presença maravilhosa do Senhor, é papel do ministério de música levá-lo a compreender, interiorizar e manifestar seu louvor e alegria através do cântico participado.
Durante a Celebração Eucarística, o canto do povo tem prioridade sobre o canto belo dos solistas, muito embora um canto solado também possa ser útil em determinados momentos da celebração. Devemos ter especial cuidado neste aspecto, a fim de evitarmos exibicionismos quanto ao canto ou música solados ministrado em momentos indevidos, quando seria a vontade do Senhor que todo o povo o louvasse com unidade e liberdade, edificando a Igreja, como faziam os 4000 homens de II Cr 23,5.
  1. O papel do animador e do coral
Para que a assembléia reunida caminhe com ordem e discernimento deve existir um animador musical. Este animador musical ou coordenador do ministério da música é quem dirige os cantos e anima toda a assembléia para o louvor do Senhor. Seu ministério e função exigem dele uma vida de oração, escuta do Senhor e conhecimento da vontade de Deus, a fim de deixar-se levar pela unção inspiração do Espírito e ser igualmente acessível a todos. Deve inspirar confiança aos seus irmãos e aos outros participantes do ministério e exercer sua função com paciência, principalmente quando de falhas dos outros participantes do ministério.
É necessário ainda que o animador tenha bom ouvido musical, voz segura e afinada, sentido de ritmo, gestos apropriados para indicar com as mãos os matizes que deseja obter dos demais componentes do ministério ou da assembléia.
Apesar da importância do papel do animador, ele precisa ter o apoio de um grupo de bons cantores, o coral. Este coral, dividido em grupos de pessoas com o mesmo tom de voz soprano, tenor, barítono, contralto, etc, possibilita um melhor e mais rápido aprendizado dos cantos novos e, com o animador, animará e coordenará a assembléia.
Embora na maioria das vezes o coral cante todo junto, ele deve Ter também solistas. Em momentos apropriados como por exemplo após a comunhão, um solo leva a assembléia ao recolhimento e profunda ação de graças. O solo não seria apropriados para outros momentos como o glória, ofertório, canto da entrada, comunhão, aclamação ao Evangelho, quando a participação da assembléia é fundamental dentro do sentido da celebração.
Os ministros dfe música devem ter sempre presente o fato de que acima de tudo têm o chamado e o ministério de alegrar e reforçar a assembléia no louvor do Senhor, com suas vozes e também com seus instrumentos musicais. E o Senhor suscita na Igreja pessoas hábeis para louvá-lO através de todo os tipos de instrumentos musicais. É maravilhoso vermos os louvores do Senhor animados com baterias, violões, guitarras, contra-baixos, órgãos, pandeiros, etc. Embora muitos considerem isto algo novo, pela Palavra verificamos que é, na realidade, apenas um reavivamento do que vemos na época do Rei Davi que, no salmo 150 conclama todos os instrumentos musicais a louvarem o Senhor.
No entanto, por mais bonito que seja o som de um instrumento musical, sua finalidade não é substituir ou sobrepor a voz do homem, mas realçá-la e acompanhá-la. Devemos então cuidar para que o instrumental nunca domine a voz humana, pois é ela o louvor mais agradável a Deus. Foi pelo homem que Jesus deu a vida e agrada ao Pai ouvir as vozes que criou cantarem sob a unção do Espírito.
  1. A importância do tempo litúrgico
Um ministério de música que caminhe com discernimento cuidará em conservar as músicas que são mais conhecidas a fim de atingir a assembléia e faz participar com maior proveito. No entanto, deve aprender a tocar novas músicas a fim de não cair na rotina e, aos poucos e oportunamente ensinar estas novas músicas ao povo. Devemos buscar o equilíbrio e não nos deixarmos levar nem pelo afã de novidades nem pelo enfado da rotina e cuidar especialmente no sentido de que os cânticos escolhidos guardem plena comunhão com a Igreja Católica e se não há neles erro doutrinal.
Sabemos que a Igreja celebra a cada ano o seu calendário litúrgico, composto dos seguintes tempos: Advento, Natal, Epifani, Quaresma, Páscoa, Pentecostes e tempo comum. É imprescindível que o ministério de música esteja atento ao tempo litúrgico e utilize cânticos que estejam de acordo com o mesmo.
  1. A serviço dos grupos de oração
Nas reuniões de oração é também fundamental um ministério de música também organizado, onde haja um animador que, em unidade com o coordenador da oração conduza os cânticos de acordo com a moção do Espírito. Os instrumentos também terão função relevante no grupo de oração e ajudarão o animador a levar a assembléia ao louvor, a escuta e ao gozo no Espírito, que expressa a alegria e o abandono dos fiéis no seu Senhor, à semelhança dos apóstolos em Pentecostes, como que "embreagados de vinho mosto".
  1. Ministrando a dança no Espírito
O gozo no Espírito leva as pessoas à dança no Espírito. Esta dança deve também ser ministrada pelo ministério de música através dos cânticos com ritmos apropriados a este tipo de louvor. Vemos por II Sam 6,14-21 que a dança no Espírito é um outro aspecto do louvor a Deus que o Espírito está fazendo renascer: "Na presença do Senhor danço eu", afirma nesta passagem o Rei Davi e, em Sl 149,1-3: "louvem ao Senhor com danças". Em nossos grupos, assembléias e celebrações o Senhor tem muito a realizar neste sentido. Abramos espaço a Ele.
  1. Ministrando o cântico novo
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  3. No princípio, toda a criação louvava ao Criador de maneira uníssona e belíssima. Com o pecado, este louvor, esta música celestial foi perdida. Acreditamos que se nos abrirmos hoje aos caminhos do Espírito Santo esta música do princípio será restaurada e prestará ao Senhor o culto e o louvor que Ele merece e que está muito além de todo condicionamento, respeito humano ou preconceito. Neste contexto, o ministério de música tem papel fundamental e belíssima missão: restaurar o canto celestial perdido e ministrá-lo ao povo de Deus, preparando-o para neste final de tempos para que no final dos tempos cantem de júbilo ao ver o Senhor vindo em Sua glória o cântico novo dos escolhidos que com o Rei passarão a eternidade.
Aleluia!