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terça-feira, 1 de junho de 2010
Matemática do Ministério de música:
Matemática do Ministério de música:
Se tem uma coisa que um músico profissional recém chegado a um ministério de música sente incômodo em ouvir é a célebre frase: “ministério de música é 90% Oração e 10% Técnica”. Pra ele, isso muitas vezes soa como desvalorização de anos dedicados ao estudo da música, das horas diárias de treino, das madrugadas à fio tirando músicas, … e pior, como se apenas com oração alguém tenha o displante de pensar que tocará tanto quanto ele, tão dedicado no estudo musical.
É óbvio que a oração é mais importante do que qualquer coisa na nossa vida, pois é ela que nos coloca em sintonia com Deus que nos sustenta e sustenta a nossa missão. Tanto que não há nada mais frustrante para um ministério de música quando começam a perceber que aquele músico profissionalíssimo que entrou não quer saber de oração, falta os dias de espiritualidade, formação e só quer saber de ensaio, pois sabem que o ministério de música não se sustenta sem oração, pois não se trata apenas de dar uma ajuda para a Igreja, trata-se de uma missão de levar as pessoas a um encontro pessoal com Jesus, através da música.
Entretanto, ao longo desses anos de ministério de música, Deus vem nos ensinando que, para tocar com unção, tanto a oração quanto a técnica precisam, em pé de igualdade, ser alvo da preocupação de um ministério de música. Não estamos aqui entrando no mérito de quem é mais importante, pois isso já disse no parágrafo anterior. O que estou dizendo é que devemos nos empenhar em ambas.
Muitas vezes somos levados a colocar essas duas coisas como concorrentes, quando na verdade precisam andar juntas. A própria Bíblia traduz esse conflito nos dois trechos abaixo:
“Estando Jesus em viagem, entrou numa aldeia, onde uma mulher, chamada Marta, o recebeu em sua casa. Tinha ela uma irmã por nome Maria, que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. Marta, toda preocupada na lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas;no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada.” (Lc 10, 38-42)
Veja esse outro trecho da Bíblia:
“De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará?
Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.” (Tg 2, 14-18)
De fato, há membros de ministérios de música que, por não terem formação musical, acabam acomodando-se com o conhecimento limitado de música que possuem e não procuram evoluir. É preciso cuidado, pois muitas vezes vestimos uma capa de pessoas santas e orantes e apontamos o dedo para o irmão que se empenha no estudo dizendo que ele não quer saber de Deus.
Na verdade, quando agimos assim, também não estamos querendo saber de Deus, pois se é para Deus que canto, se é para Deus que toco, tenho que fazê-lo da melhor forma que puder e isso exige estudo, dedicação, ensaio. Servir a Deus, exige empenho, sair da zona de conforto. Não posso dar esmola para Deus. Para Deus, o melhor!
Por outro lado, evidentemente, um ministério de música não pode ser apenas uma banda. Normalmente, não há remuneração para os músicos de um ministério, por isso, todos estão ali porque querem. E por que querem?
Os motivos são diversos: porque gostam de tocar, pra servir a Deus, pra assumir uma missão, para fazer amigos, … Tudo isso é muito bom, mas é preciso ter consciência de que um ministério de música não é lugar para alguém que só quer tocar/cantar por prazer, robby, diversão ou coisa parecida. É preciso ter consciência de que somos todos missionários e estamos incumbidos da tarefa de mudar a vida das pessoas em nossas apresentações.
Por isso, tocar/cantar com unção requer tanto oração, quanto técnica. Um ministério de música precisa buscar o equilíbrio entre essas duas coisas. Digo sem medo de errar: “quanto mais orante for um ministério de música, maior a sua preocupação com a técnica”.
Porém, não se trata de uma preocupação vazia, com a técnica em si. Trata-se de tamanha intimidade com Deus que não admitimos servi-lo de qualquer jeito, que iremos nos empenhar ao máximo para agradar os seus ouvidos perfeitos.
“Cantai-lhe um cântico novo, cantai bem para ele! Alguém pergunta como cantar para Deus. Canta para ele, mas não cantes mal. Ele não quer que seus ouvidos sejam molestados. Cantai bem irmãos. Diante de um musicista de bom ouvido, dizem-te para cantar de modo que lhe agrade. Ora se não foste instruído na arte musical, temes cantar para não desagradar ao artista. Não sabendo que és ignorante, ele te repreenderá. Quem se oferecerá para cantar bem a Deus, a ele que de tal modo julga o cantor, de tal modo examina tudo, de tal modo sabe escutar? Quando poderás apresentar um canto com tanta arte que absolutamente em nada desagrades aos ouvidos perfeitos?” (Santo Agostinho)
O ideal seria que cada membro do ministério de música tivesse tanta preocupação com a técnica quanto tem com a oração, porém, a realidade é que nossos ministérios de música, como qualquer grupo de pessoas, são formados de pessoas diferentes, com histórias e experiências diferentes. É natural que em uns sobressaia o empenho na oração e em outros o empenho na técnica. O importante é que ambos, oração e técnica, estejam presentes na vida de todos no ministério.
No final das contas, a matemática geral do ministério de música tem que ser 50% Oração + 50% Técnica = 100% unção.

